Pedro Lima

Trabalho Selecionado

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2026, Orquestra Sinfónica / Clássica

“Dance Step!”

“Em jeito de abertura orquestral, “DANCE STEP” enquadra-se num projeto mais amplo: a gravação de um álbum cujo conceito cruza estilos «dançáveis» e uma escrita contemporânea que se inscreve na tradição clássica. No caso específico, existe uma alusão explícita à música Disco. Sem eletrónica, enreda os instrumentos da orquestra em texturas homorrítmicas que remetem para as pistas de dança dos anos 1970. As pulsações regulares percorrem as diferentes cores tímbricas: os metais, as madeiras, as cordas. São impulsos sonoros que evoluem numa dinâmica crescente. Mas nem sempre de maneira regular. Há momentos que interferem na expectativa dos nossos corpos. Respiram. E logo retoma uma intensidade que se acumula em sucessivos fôlegos, até desembocar numa exclamação conclusiva. A palavra «Step» assume assim sentidos múltiplos. Para lá dos «passos de dança», é metáfora dos degraus que a música vai subindo; porventura também dos sucessivos estágios de um artista que se entrega ciclicamente a novos projetos; ou ainda de uma inquietação existencial. São estas as palavras de Pedro Lima: «Para mim, a criação nunca existe no vazio. Não consigo alhear-me do mundo que habitamos hoje e ficar indiferente. A verdade é que vivemos tempos frágeis, de caos absoluto.» Lembra-nos também que, na origem, a música Disco deu corpo a um movimento cívico de emancipação racial e de género. Buscou consagrar conceitos que a sociedade insistia em não resolver. «Hoje, muitos desses conceitos continuam por resolver. Falo de guerras, de clima... de todas as apreensões que existem no mundo. O caos é de tal ordem que aquilo que mais parece fazer sentido é, precisamente, dançar. É preciso buscar ângulos diferentes, e construir em cima disso.» Para o efeito, transfigurou a orquestra num enredo poliestilístico que nos conduz a «outros lugares». «Para mim, enquanto compositor, é muito estimulante poder pegar numa orquestra e abordá-la com o pensamento de DJ. Vejo paletas e recursos que permanecem inesgotáveis». Afinal, a música de tradição clássica é herdeira do humanismo ocidental, com raiz nos ideais da valorização do indivíduo, da razão e da beleza. Apesar da monumentalidade histórica que carrega, com práticas que se converteram em autênticas instituições, é próprio da sua natureza reinventar-se e colocar questões – mais do que dar respostas. Pedro Lima assume essa missão com a consciência de que nada se faz sozinho. Por isso, o seu trabalho não termina com a barra dupla. Faltam os ensaios e os concertos que permitirão transmitir as suas ideias e entusiasmar todos os outros que fazem a música acontecer.”

Rui Campos Leitão, musicólogo, a propósito da estreia com a OML no CCB (2026)

Detalhes

Orquestra Clássica

 

Encomenda: Orquestra Metropolitana

 

Compositor: Pedro Lima

 

Estreia: 1 de abril 2026, Centro Cultural de Belém (Lisboa)

Maestro: Pedro Neves

Duração: 9 minutos

Instrumentação: 2.2.2.2 | 2.2.3| 2 | cordas