2022, Teatro Musical e Ópera
“Ópera na Prisão: O Tempo Somos Nós”
Escolheram-se duas palavras: porta e viagem. E foi sobre elas que se foram tecendo e partilhando memórias. Construiu-se uma história e compôs-se uma ópera que nos conta do tempo. Do que somos todos. Ulisses e Penélope ajudaram muito, e até Mozart voltou ao Pavilhão a que deu nome, no Estabelecimento Prisional de Leiria - Jovens, para se juntar ao coro. Três compositores e um libretista convidados, conviveram dentro e fora de muros com quem gosta de ouvir e contar histórias. Chegámos agora a um primeiro porto, e veremos por quanto tempo ficaremos. “Porque vamos? Porque ficamos? Porque esperamos?
O TEMPO (SOMOS NÓS) propõe uma interpretação livre e contemporânea das histórias de Ulisses e Penélope: nas personagens daquele que viaja e daquela que espera concentram-se tensões, dúvidas, esperanças, ilusões e angústias que todos os espectadores poderão reconhecer como suas. Explorando as dualidades e conflitos internos dos protagonistas com dramatismo e humor, esta ópera proporciona um conjunto de interrogações e reflexões que partem do simbólico e do metafórico para interpelar cada espectador no concreto das suas certezas.
Um espectáculo-espelho feito de múltiplas colaborações e cumplicidades criativas onde se podem entrever temáticas intemporais como a percepção do tempo, a oposição entre escolha individual e condicionalismo colectivo, a concepção de liberdade como utopia ou mera possibilidade de opção entre diferentes formas de prisão, a importância do amor na definição do destino. O tempo somos nós. Mas como torná-lo realmente nosso?”
(Paulo Kellerman, 2022)
“Uma ópera comunitária, criada com jovens reclusos, familiares, ex-reclusos, residentes em Leiria e funcionários dos serviços prisionais. TRACTION pertence a um grupo de projetos de investigação europeus que exploram a interseção entre a criatividade, a sociedade e a tecnologia - e a capacidade dos artistas para reduzir a desigualdade na era digital. A ópera é obra de um trio de compositores portugueses e chama-se “O Tempo (Somos Nós)”, ou “Time (As We Are)”. Cada um dos compositores, todos amigos, fez duas das seis cenas, que demoram 90 minutos a serem executadas. O libreto, texto que acompanha a ópera, é também da autoria de um português. Segundo Matarasso, a história baseia-se no mito de Odysseus (ou Ulisses em latim) e da sua mulher Penélope. Enquanto Odysseus é o andarilho que faz escolhas e enfrenta tentações, Penélope faz escolhas e enfrenta as suas próprias tentações enquanto espera pacientemente pelo regresso do seu marido da Guerra de Tróia. “Tornou-se uma metáfora para a experiência da prisão, da separação e das escolhas que as pessoas enfrentam”, disse. ‘A história surgiu a partir de workshops de co-criação entre o escritor e os compositores na prisão – cada um passou semanas a fazer sessões com os reclusos. “Enquanto os cantores profissionais ocupavam os papéis principais de barítono, soprano, mezzo-soprano e tenor da ópera, os prisioneiros cantavam principalmente em coro” diz Matarasso. Além disso, para os reclusos, três tiveram papéis a solo falados, cinco fizeram números de rap a solo, um actuou a solo como beatboxer e dois participaram em leituras de texto a solo. A audiência com capacidade para 1 200 pessoas no Centro de Artes Gulbenkian, em Lisboa, no dia 16 de Junho, incluía os ministros da Justiça e da Cultura de Portugal, juntamente com o chefe do serviço prisional do país. Uma segunda apresentação foi aí realizada a 17 de junho de 2022. “Superou as expectativas de todos e recebeu aplausos alegres de pé” (François Matarasso, 2022)”
Detalhes
Ópera Comunitária
Encomenda: Sociedade Artística Musical dos Pousos (TRACTION)
Compositores: Pedro Lima, Francisco Fontes e Nuno da Rocha
Libretto: Paulo Kellerman
Estreia: 16 e 17 de junho de 2022, Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa)
Instrumentação: solistas - soprano, mezzosoprano, tenor, barítono, 16 atores, coro e orquestra clássica
Duração: 90 minutos
Elenco
André Henriques: Barítono (Ulisses)
Carla Simões: Soprano (Penélope)
Inês Constantino: Mezzo-soprano (Mulher)
Frederico Projecto: Tenor (Homem)
Jovens do EPLeiria: Companheiros de Ulisses / Companheiros do Homem / Jovem W, X e Z
Coro do EPLeiria: Jovens e de Familiares
Equipa
Direção Musical: José Eduardo Gomes
Encenação: Carlos Antunes
Figurinos: Nuno Braz de Oliveira
Desenho de Luz: José Iglésias
Caracterização: Fátima Sousa e Joana Cornelsen
Assistência ao Guarda-Roupa: Bárbara Magalhães
Construção de Cenários: J. C. Sampaio, Lda
Apoio à Construção de Cenários: Elísio Ferreira e Bernardo Silva
Maestro Ensaiador: Frederico Projecto
Pianistas Correpetidoras: Yumiko Ishizuka, Dana Radu e Inês Mesquita
Apoio à Caracterização: Joana Gonçalves, Gabriele Carvalho, Ana Figueiredo, Leonor Capricho, Júlia Santos e Cátia Gaio
Equipa SAMP
Coordenador do Projeto Português: Paulo Lameiro
Direção Artística e Coordenação de Projeto: David Ramy
Preparação Cénica: Sofia Neves
Produção, Comunicação e Imagem SAMP: Joana Gonçalves, Gabriele Carvalho, Telma Pereira, Ana Figueiredo e Leonor Capricho
Coordenação de Familiares: Raquel Gomes
Apoio na Coordenação de Familiares: Ana Filipa Cunha
Maestrina Pavilhão Mozart: Ana Raquel Azeiteiro
Operadores Co-Creation Stage: Bruno Homem e Ruben Santos
Apoio aos Espetáculos: Inês Ferreira, Filipa Capote, Júlia Santos e Cátia Gaio